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Cocaína
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A cocaína é usualmente tomada hipodermicamente ou por aspiração, produz uma intensa estimulação, sensação de bem-estar e euforia, de competência, aumento da auto-estima e da autoconfiança; proporciona maior facilidade no fluxo do pensamento, favorecendo a verbalização de idéias; melhora a capacidade de trabalho.
Todos esses “maravilhosos” efeitos transformam-se em debilidade,
depressão, irritabilidade, inquietação, á medida que a droga vai sendo
metabolizada. Se não houver nova dose, aparecerão os sintomas e sinais de
abstinência que serão: palpitações, tremores, impotência, fraqueza muscular,
sombras diante dos olhos, confusão mental. Os viciados em cocaína podem
apresentar sintomas fracamente psicóticos com delírios de ciúmes, alucinações,
idéias de perseguição. Por causa desses sintomas, podem tornar-se violentos.
As causas do vício em cocaína são similares às de outras drogas,
isto é, perturbações afetivas e defeitos da personalidade. A pessoa adquire o
vício a partir do contato com outros viciados participantes do submundo do
abandono e de falta de identidade, que se unem e transformam a droga na “mãe de
todos”, naquela que os oferece todas as compensações para suas infelicidades
interiores.
A sensação de bem-estar e de aumento da competência pode ser o
passo inicial para o uso de cocaína pelas pessoas que se acham socialmente
incapazes e frustradas, mas depois o aumento da capacidade para o trabalho não
é mais compensador por causa da ameaça dos sintomas depressivos que ocorrem na
ausência da droga.
Então, como nas outras toxicomanias, o pensamento do viciado fica
constantemente voltado para os meios de obter a droga. A deteriorização moral
do cocainômano é provavelmente maior que a das outras toxicomanias e as
possibilidades de cura são menores. Como nas outras dependências de drogas, o
prognóstico depende mais das mudanças da personalidade do paciente do que de
mudanças ambientais e depende enormemente do desejo interior de curar-se.
Milda Pereira da Silva-2002 todos os direitos reservados