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Por trás do vício de drogas há quase sempre um distúrbio da personalidade, mas ao contrário das outras toxicomanias, uma grande parte dos viciados em barbitúricos iniciam o vício após prescrição médica, muitas vezes para aliviar uma insônia. Muitos ingerem a droga por conta própria, como, por exemplo, alcoólatras ou personalidades anti-sociais que a utilizam para alívio de tensão ou para experimentar os efeitos tóxicos.
Viciados em outras
drogas podem usar barbitúricos, quando estão impossibilitados de consegui-las
ou para potenciar seus efeitos. Os motivos profundos do vício devem ser
procurados na dinâmica da personalidade e geralmente estão ligados a sérias
frustrações interpessoais originadas nos anos de formação. A intoxicação aguda
provoca uma diminuição das funções cognitivas, perda do controle emocional,
acessos de choro e de risos, juízo pertubado, seguindo-se de sonolência,
estupor e coma.
Na intoxicação
leve o paciente apresenta-se confuso e quando sonolento é facilmente
despertado, há redução dos reflexos superficiais e nistagmo transitório. Na
moderada, há sono profundo com dificuldade para ser despertado, o nistagmo é
constante e há disartria. Já existe depressão dos reflexos profundos e a
respiração torna-se lenta.
Ao examinar um
suspeito de vício em barbitúricos é útil pesquisar a existência da droga entre
os pertences da pessoa, pois os viciados costumam traze-la escondida consigo,
mesmo nos orifícios corporais, como boca, reto etc.
O vício em barbitúricos
é mais grave que o vício em opiáceos, embora possa parecer o contrário. A
síndrome de abstinência é mais perigosa, os efeitos da droga, mentais e
emocionais, são piores que o da morfina e heroína. Como nas outras
toxicomanias, o prognóstico depende das perspectivas da personalidade do
viciado, da possibilidade da pessoa superar seus conflitos afetivos e sociais e
vencer o sentimento de solidão. Não é raro encontrarmos na crônica mundana
inúmeros exemplos de pessoas problemáticas e insatisfeitas, aditas aos
barbitúricos, que caminham para o fim suave do sono sem volta, por não
encontrarem na vida atual nada que os compense de suas frustrações íntimas.
Milda Pereira da
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